ANDRÉ PESSOA
Profissional de Educação Física

Compartilhe a página!

Fique atualizado!

Cadastre seu e-mail:

Fique atualizado(a) FeedBurner

Categorias de Artigos

IFBB-RIO FanPage

MAIS UM EVENTO IFBB-RIO. AGORA EM CAMPUS. VENHA COM A FAMÍLIA IFBB-RIO. GARANTA SUA VAGA NO ÔNIBUS FRETADO PELA FEDERAÇÃO. R$ 120,00 PRAZO ATÉ DIA 03/09 (TERÇA) Ida: 05/09 (Sexta) 7:30h Local: Sede IFBB-RIO Volta: 06/09 (Sábado) após campeonato PONTOS DE VENDA . Sede IFBB-RIO Rua Álvaro Ramos, 5 - Botafogo Tel. 2541 5430 . Salão Luiza Rocha Rua Angélica Motta 499 - Olaria Tel . 3881 4146 / 3882 8820 A equipe IFBB-RIO ficará hospedada no Hotel Alameda Inn Av. Nilo Peçanha, 64 - Centro - Campos Telefone para reserva: 22 2722 1099 ... See MoreSee Less

6 days ago

View on Facebook

Instagram Pergus

Livros e artigos relacionados com Treinamento Físico, Performance, Saúde...

LEITE “ENGROSSA” A PELE?

Sou Profissional de Educação Física e Vice Presidente da Federação de Culturismo e Fitness do Estado do Rio de Janeiro (IFBB-RIO). Tive a grande oportunidade de participar da fase evolutiva do esporte. Anteriormente sabia-se muito pouco sobre os métodos e meios que atletas de fisiculturismo utilizavam em suas rotinas de preparação para os campeonatos. Os físicos apresentados nos palcos eram as justificativas covardes de alguns pesquisadores que se negavam a incentivar pesquisas específicas, sob alegação da interferência do uso de esteróides anabolizantes. Uma ciência sem coerência, pois aceitavam uma final olímpica onde homens ditos normais e saudáveis, diminuíam suas marcas humanamente impossível a cada campeonato mundial e olímpico, sem o menor questionamento.

Poucos sabem que a base do treinamento do fisiculturismo vem das grandes potências do treinamento de força, antiga União Soviética, Cuba, China  desde dos anos 40. Métodos hoje desconhecidos por muitos, foram testados e adaptados pelos  fisiculturistas precursores no esporte. Ao contrário que muitos imaginam, o “empirismo” não é a base de treinamento dessa modalidade, mas infelizmente é utilizado por pessoas sem conhecimento técnico para responder questionamentos ou justificar procedimentos e métodos.

Acredito que a pesquisa é um caminho burocrático, porém válido para “derrubar” tabus e ou explicar ações e reações. No fisiculturismo existem muitos temas polêmicos porém, com o crescimento do esporte, a aproximação das grandes e competentes empresas de suplementos, especialização e intercâmbio nacional e internacional dos treinadores, a “ciência” está mais próxima e por isso, acredito que as discussões e debates estão mais intensos e frequentes. Vejo isso como ponto positivo para todos envolvidos no esporte. Para o alcance da excelência e respeito pleno, meu pensamente é que nós temos que inverter a direção da pesquisa e aplicar ao pé da letra a técnica mais básica de qualquer estudo, que é,  se alguma reação ou resultado foi observado, é imprescindível saber o por que!

Nesse artigo o tema é o questionamento, onde até que ponto é verdade que a ingestão do leite, ou melhor dizendo, a lactose prejudica a definição muscular. Acredito que o fato, a pesquisa e as experiências devem ser as bases para uma conclusão fidedigna do assunto. Em outras palavras, se aconteceu com um ou dois atletas de fisiculturismo, precisamos saber por que aconteceu. Necessitamos pesquisar o fato. Estudos apontam que é impossível o leite “engrossar” a pele, pois sua digestão é feita no intestino, fato este que não daria tempo de chegar até a pele. Além disso, concluíram que uma possível interferência na definição muscular seria em razão da retenção hídrica celular proporcionada pela atração da molécula (lactose) com a água.

A lactose, principal alvo dos defensores que o leite atrapalha a performance estética, é o açúcar encontrado no leite, um dissacarídeo formado por uma molécula de glicose e uma de galactose. Por ser uma molécula muito grande, a lactose precisa ser degradada em compostos absorvíveis nas microvilosidades do intestino delgado. Essa degradação é feita pela lactase, uma enzima hidrolítica que possibilita a quebra da lactose em monosssarídios, especificamente em dois açúcares simples, a glicose e galactose, esta última que vai ao fígado onde é transformada em glicose. Ambas podem ser absorvidas pelo sistema digestivo. É um carboidrato, e contém 4 calorias por grama. Algumas pessoas têm uma deficiência na produção dessa enzima, o que caracteriza a intolerância à lactose. Um indivíduo intolerante à lactose que consuma leite pode sofrer de dores abdominais, cólicas e diarreia, devido ao acúmulo de água na luz intestinal em virtude do efeito osmótico causado pela incapacidade de fracionar a molécula de lactose para ser absorvida (McArdle, 2003).

Será que os casos evidenciados de “engrossamento da pele” coincidentemente foram experimentados por atletas com intolerância a lactose, sem conhecimento do diagnóstico? Será que o vilão é a lactose?

Além disso, o leite também contém sódio, mais precisamente 50mg por cada 100ml de leite, podendo ser um fator considerável e que possa também justificar a dificuldade de definição muscular em razão da retenção hídrica.

Analisando os nutrientes dos tipos de leite na tabela abaixo, é possível identificar componentes conhecidos e evitados pela comunidade do fisiculturismo.

 

Outro ponto importante a ser considerado, é a tentativa das empresas em filtrar o leite pasteurizando. Esse processo faz com que as proteínas e enzimas sejam destruídas. As enzimas ajudam o processo digestivo, e se destruídas o leite torna-se difícil de digerir, provocando um bloqueio no sistema de enzimas.

Outro ponto interessante, é a existência no mercado de dois tipos de Whey Protein mais utilizados por atletas e alunos das salas de musculação, o concentrado e o isolado. Ambos podem passar pelo processo de hidrólise tornando absorção pelo organismo facilitada (Whey Protein hidrolisado). O isolado possui maior teor de proteína, não contém gordura e dependendo do sabor também é isento de lactose. Então, o que dizer sobre alegação de alguns fabricantes de não conseguirem retirar a lactose do Whey de chocolate? Imaginem a quantidade de pessoas que consomem o Whey de chocolate e defendem que a lactose do leite “engrossa a pele”?

Como dito no início do texto, precisamos deixar o “ranço” de escutar aqui e repetir ali, sem ao menos pesquisar, testar e avaliar os resultados. O Fisiculturismo está bem servido de profissionais sérios e competentes, com condições plenas de uma vez por todas, banir os tabus, crenças juntamente com aqueles que insistem em aprisionar o esporte através de conceitos desatualizados e obscuros.

Sobre o leite “engrossar a pele”, na prática alguns atletas que usaram em sua preparação, não obtiveram bons resultados nos palcos. Coincidência?

Sobre a alegação do motivo do leite “engrossar a pele” ser a lactose, sugiro aprofundamento nas pesquisas.

O Fisiculturismo e Fitness tem suas particularidades e procedimentos como qualquer modalidade esportiva. Aquele que não conhece, antes de criticar ou “inventar”, conheça o esporte, regras e critérios. É preciso saber o “por que” das estratégias. É preciso pesquisar ao invés de inventar ou somente copiar.

 

Forte abraço!

 

André Pessoa

Vice-Presidente IFBB-RIO

Comments are closed.